Benefícios do Exercício para Pacientes Diabéticos

Carla Britto da Silva

Carla Britto da Silva
CREF 008277G/MG

Especialização em Fisiologia do Exercício, Especialização em Bioquímica da Nutrição, Mestre em Educação Física, Profissional de Educação Física
Triatleta.

Currículo completo »

RESUMO
Em todo o mundo existe uma ampla evidência epidemiológica sobre o incremento na incidência e prevalência da diabetes mellitus tipo 2, principalmente em populações ocidentais com proporções considerada epidêmicas. A diabetes mellitus tem muita influência na morbilidade e mortalidade de doenças coronariana e vascular cerebral, nas quais tem um elevado impacto social.

No tratamento desta doença é orientado principalmente a obter um controle metabólico, diminuir a comorbidade, assim como reduzir a presença de complicações agudas e crônicas que caracterizam esta doença. Isto deve se conseguir através de dieta, medicamentos hipoglicemiantes orais a insulina e indicação de programas de atividade física.

Este documento mostra algumas reflexões das problemáticas de prescrição de atividade física para diabéticos, assim como uma proposta para facilitar sua indicação e realização.

1) INTRODUÇÃO
A urbanização são algumas das características do século XX e XXI. Esse processo provocou modificações agressivas nos hábitos dietéticos e no estilo de vida das pessoas, acarretando enorme redução nos níveis de atividade física. Essas mudanças provocaram um significativo impacto sobre a saúde e a mortalidade de grandes populações, e constitui-se um grave problema de saúde pública(1). Por isso o perfil das doenças sofreu profundas mudanças em nosso meio, observando-se uma alteração da mortalidade decorrente de doenças infecto contagiosas e materno-infantis, pela mortalidade advinda de causa externas e disfunções classificadas como de origem crônica-degenerativa(1). A diabete mellitus é uns dos mais importantes problemas de saúde mundial, tanto em números de pessoas afetadas como de incapacitação e de mortalidade prematura.

Em todo o mundo, existe uma ampla evidência epidemiológica sobre o aumento na incidência e prevalência da diabetes mellitus tipo 2, principalmente em populações ocidentais,com taxas de proporções que é considerado epidêmicas.A diabetes mellitus tem como os eventos mais importantes de sua morbilidade e mortalidade das doenças coronariana e vascular, as duas têm um elevado impacto social e econômico(2).

O tratamento desta doença está orientado principalmente a obter em controle metabólica, diminuir a comorbidade, dessa forma reduz a presença de complicações agudas e crônicas que caracterizam esta doença.Isto deve-se conseguir através do controle dietético, medicamentos hipoglicemiantes orais à insulina e a indicação de programas de atividade física(2).

2) COMPLICAÇÕES E COMORBIDADES DO DIABETES
O diabete melito do tipo 2 é uma desordem metabólica geralmente decorrente de resistência periférica à ação do hormônio insulina. A não competência pancreática em manter níveis glicêmicos normais, ainda que às custas de hiperinsulinemia, precipita o surgimento do diabetes mellitus. Essa moléstia, no próprio contexto de sua fisiopatologia, frequentemente associa-se a outras condições, como hipertesão arterial, obesidade e dislipidemia. Estas congregam a chamada síndrome plurimetabólica, ou síndrome de resistência insulínica, que, em sua evolução, determina o desenvolvimento de complicações cardiovasculares. As complicações macrovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade nos pacientes com diabete do tipo 2, compreendendo doença coronariana, doença vascular cerebral e doença vascular periférica(12).

O estado diabético predispõe o paciente a complicações crônicas que geralmente surgem após 10 anos de doença e que provoca invalidez temporária ou permanente e/ou abreviam sua vida. Essas complicações dizem respeito principalmente as artérias(macroangiopatia), os pequenos vasos e capilares, sobre tudo os rins e da retina(microangiopatia), e ao tecido nervoso.

Quanto à aterosclerose,não parece ser diferente da que afeta os não diabéticos,a não ser quanto à sede, intensidade e precocidade de instalação.
No que se refere a microangiopatia diabética é lesão que afeta pequenas arterólas,vênulas e capilares, caracterizando-se, essencialmente, por um espessamento da membrana basal capilar de distribuição universal. Os rins e a retina são os principais órgãos afetados microangiopatia, o que condiciona possível encurtamento da vida por insuficiência renal ou cegueira, respectivamente.

A patogenia da microangiopatia é complexa e ainda discutida, parecendo influir, na sua instalação, alterações metabólicas consequentes à deficiência insulínica, com modificações reológicas na microvasculatura , que propiciam a isquemia tissular. A instalação e o curso da microangiopatia se correlacionam com a duração do diabetes e com o grau de seu controle.

A obesidade tem sido considerada um importante risco de mortalidade precoce, há porém, diferentes gradações de risco, dependendo da região de deposição da gordura. Os maiores riscos estão associados à sua deposição abdominal, principalmente quando se consideram os riscos metabólicos e cardiovasculares. Além disso, os estudos demonstram que é a gordura intra-abdominal ou visceral o componente mais deletério por suas características metabólicas. De fato, estes adipócitos são maiores, mais lipolíticos e mais próximos do sistema venoso portal. Assim, oferecem ao fígado um suprimento de ácidos graxos livres que estariam envolvidos na gênese da resistência à insulina, do diabetes tipo 2 e num perfil lipídico típico de denominada síndrome metabólica.

3) HIPERTENSÃO E EXERCÍCIO
A hipertensão é um dos agravantes comorbidade da diabetes mellitus ocorre quando os vasos sanguíneos se contraem e fazem com que a pressão do sangue dentro dele se eleve, como os vasos são recobertos por uma camada muito delicada, a pressão elevada pode pressioná-los, entupi-los ou rompê-los, em consequência podemos ter infarto do miocárdio, derrame cerebral e paralisação dos rins entre outra patologias.

Hipertensão é o maior fator de risco para várias doenças cardiovasculares, incluindo doenças coronárias, parada cardíaca e doença renal. Por isso, a prevenção torna-se um importante aliado no controle da hipertensão e complicações renais(13).

Há fatores que não são modificáveis mas são muito relevante na hipertensão como: idade, sexo, fatores genéticos e raça. Já a obesidade, a admissão de sódio, a baixa admissão de potássio, o consumo excessivo de álcool e a redução da atividade física são fatores modificáveis. Um número de estudos tem demonstrado que a mudança destes fatores pode diminuir a pressão sanguínea e até mesmo prevenir o desenvolvimento da hipertensão.

Em suma baseado em revisões anteriores, recomenda-se mudanças de estilo de vida,uma dieta saudável (incluindo redução de sódio e suplementação de potássio), manutenção de peso corpóreo desejável e níveis adequados de exercício de resistência, o consumo de álcool moderado podem atuar favoravelmente na prevenção de hipertensão e reduzir o risco de doença cardiovasculares(13,29).

Continuação do artigo sobre Os Benefícios do Exercício Para Pacientes Diabéticos »